quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Só para raros

Em decorrência da fetidez que assola o país, só tenho vontade de escrever textos sórdidos, coléricos, cínicos, degradantes ou estufados de um humor cruel (...), “censurado”, ou só para cínicos , ou “só para fazer sorrir os desesperados”, ou até quem sabe , à maneira de Hesse: “só para raros”. Porque convenhamos, há pulhas em demasia. E enquanto não se resolve isso (...) não consigo escrever nada de coerente e agradável (...). A cólera pode ser sanada através de um texto escuro e licencioso, mas diante de uma realidade tão acabrunhada (...) me vem um texto de G.R. Urban citando Bérgson: não são somente as palavras que se extenuam, racham e, às vezes, “quebram sob a carga”, mas idéias também sofrem tensão e se desintegram ante a inibidora presença das palavras.

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