Torci os dedos sob a manta escura...
“Por que tão pálida?” ele indaga.
-Porque eu o fiz beber tanta amargura
Que o deixei bêbado de mágoa.
Como esquecer ? Ele saiu, sem reação,
A boca retorcida, em agonia ...
Desci, correndo, sem tocar o corrimão,
E o encontrei no portão, quando saía.
“É tudo brincadeira, por favor,
Não parta, eu morro se você se for.”
E ele, com um sorriso frio, isento,
Me disse apenas: “Não fique ao relento.”
(Ana Akhmátova , 1911)
Tradução : Augusto de Campos
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