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terça-feira, 11 de agosto de 2009

Sim, estou apaixonado por Macabéa, a minha querida Maca, apaixonado pela sua feiúra e anonimato total pois ela não é para ninguém. Apaixonado por seus pulmões frágeis, a magricela. Quisera eu tanto que ela abrisse a boca e dissesse:

-Eu sou sozinha no mundo e não acredito em ninguém, todos mentem, às vezes até na hora do amor, eu não acho que um ser fale com o outro, a verdade só me vem quando estou sozinha.

Maca, porém, jamais disse frases, em primeiro lugar por ser de parca palavra. E acontece que não tinha consciência de si e não reclamava nada, até pensava que era feliz. Não se tratava de uma idiota mas tinha a felicidade pura dos idiotas. E também não prestava atenção em si mesma : ela não sabia. (Vejo que tentarei dar a Maca uma situação minha : eu preciso de algumas horas de solidão por dia senão “me muero”).
(...)
Silêncio.

Se um dia Deus vier à terra haverá silêncio grande.
O final foi bastante grandiloquente para a nossa necessidade ? Morrendo ela virou ar. Ar enérgico? Não sei. (...) No fundo ela não passa de uma caixinha de música desafinada.
Eu vos pergunto:

- Qual é o peso da luz?

E agora (...) Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre. Mas- mas eu também?!
Não esquecer que por enquanto é tempo de morangos.
SIM.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

“ das profundezas chamo por vós... das profundezas chamo por vós. Permaneceu ainda uns instantes parada, o rosto sem expressão, lasso e cansado como se ela tivesse tido um filho. Aos poucos foi renascendo (...) frágil, respirando de leve (...) então começou a pensar que na verdade rezara. Ela não. Alguma coisa mais do que ela, de que já não tinha consciência, rezara. Mas não queria orar, repetiu-se mais uma vez, francamente. Não queria porque sabia que esse seria o remédio. Mas um remédio como a morfina que amortece qualquer tipo de dor. Como a morfina, que se precisa cada vez mais de maiores doses para senti-la. Não, ainda não estava tão esgotada que desejasse covardemente rezar em vez de descobrir a dor, de sofrê-la, de possuí-la integralmente para conhecer todos os seus mistérios. E mesmo que rezasse, terminaria num convento, porque para a sua fome quase toda a morfina seria pouca.. E isto seria a degradação final, o vício.”