Boca, soca. Será que a boca soca de uma certa maneira ? Ou o que soca é boca ? Deve haver algo. Soca, toca, foca, roca, doca. Rimas : dois homens vestidos igualmente, parecendo iguais, dois a dois.
... la tua pace
... che parlar ti piace
Mentre che il vento, come fa, si tace.
Ele as viu se aproximando de três em três, moças de verde, de rosa, de castanho avermelhado, enlaçadas, per l´aer perso, de malva, de púrpura , quella pacifica oriafiamma, ouro de oriflama, di rimirar fè piu ardenti . Mas eu homens velhos , penitentes, pésdechumbo, soboescuroabaixo a noite: boca soca: centre ventre.
- Defenda-se- disse o Sr. O´Madden Burke.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Que ferventes desejos por braços peludos e farfalhas na voz
de falso jacoube! Oh, como cá cá comemorreu
pó o pai das fornicações mas, (Ó cintilantes estrelminhas,
corpo meu! Como celestaltosplendeu o irissigno de doce prenúncio!
É assim, Isolda? Teus olhos chispam certeiros ? Carvelhos alderabantes
outrora dormem agora em fofadubo, mas olmos brotam em leito de cinzas.
Phallofalha se queres, reviver é que deves: e nunca tão cedo cessará
a pharsa em nada sem que cíclica revenha fenixfinda.
de falso jacoube! Oh, como cá cá comemorreu
pó o pai das fornicações mas, (Ó cintilantes estrelminhas,
corpo meu! Como celestaltosplendeu o irissigno de doce prenúncio!
É assim, Isolda? Teus olhos chispam certeiros ? Carvelhos alderabantes
outrora dormem agora em fofadubo, mas olmos brotam em leito de cinzas.
Phallofalha se queres, reviver é que deves: e nunca tão cedo cessará
a pharsa em nada sem que cíclica revenha fenixfinda.
sábado, 28 de agosto de 2010
Proteu
" Caminhando pela praia, Stephen luta, em sua mente, com o problema da mudança da face do mundo , em relação à realidade que se esconde por detrás dela (...) "
Brancas as tuas mãos, rubra a tua boca
O teu corpo é tão belo e tão delicado.
Deita e dorme então comigo.
No beijo da noite, no abraço apertado.
(...) antes da queda Adão copulava mas não gozava. Deixe ele então gritar : teu corpo é tão delicado. Linguagem nem um pouquinho pior do que a dele. Palavras de monge, contas-de-rosário que tagarelam sobre suas cinturas: palavrasenganadoras, pepitas duras tamborilam em seus bolsos .
(...)
Eu me desfaço desta minha sombra circunscrita, forma humana inelutável e a chamo de volta. Interminável, seria minha, forma de minha forma ? Quem me observa aqui ? Quem jamais em algum lugar lerá estas palavras escritas ? Sinais em um campo branco. Em algum lugar para alguém em sua voz a mais flautada.
(...)
Você acha minhas palavras obscuras ? A escuridão está em nossas almas, você não acha ?
Brancas as tuas mãos, rubra a tua boca
O teu corpo é tão belo e tão delicado.
Deita e dorme então comigo.
No beijo da noite, no abraço apertado.
(...) antes da queda Adão copulava mas não gozava. Deixe ele então gritar : teu corpo é tão delicado. Linguagem nem um pouquinho pior do que a dele. Palavras de monge, contas-de-rosário que tagarelam sobre suas cinturas: palavrasenganadoras, pepitas duras tamborilam em seus bolsos .
(...)
Eu me desfaço desta minha sombra circunscrita, forma humana inelutável e a chamo de volta. Interminável, seria minha, forma de minha forma ? Quem me observa aqui ? Quem jamais em algum lugar lerá estas palavras escritas ? Sinais em um campo branco. Em algum lugar para alguém em sua voz a mais flautada.
(...)
Você acha minhas palavras obscuras ? A escuridão está em nossas almas, você não acha ?
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Cap. 10 - O Paraíso Terrestre
Esse é o último capítulo de uma coletânea de quatro livros sobre mitologia comparada. Para mim representou mais que ciência, religião ou arte, a leitura é um ato de vida, reflexão e prazer e sinto-me grata a todos que acompanharam a aventura. Recomendo especialmente o cap. 8, O Paracleto – onde foi amplamente discutido o surgimento , o desenvolvimento e o declínio das Novelas de Cavalaria, a origem do Rei Artur e seus Cavaleiros da Távola Redonda. O conhecimento é naturalmente inesgotável, fonte de renovação e transcendência – e desdobra-se para além dos nomes e máscaras. A sabedoria é o silêncio.
II- Simbolização:
“ Esse som imperecível é o todo deste universo vísivel.
Tudo quanto tem acontecido, acontece e acontecerá”
A- O que veio a ser .... Consciência Desperta do mundo
U- O que está vindo a ser .... Consciência do Sonho e seu mundo
M- O que virá a ser ... Sono Profundo sem Sonhos.
O quarto elemento - SILÊNCIO ... Estado Absoluto.
II- Simbolização:
“ Esse som imperecível é o todo deste universo vísivel.
Tudo quanto tem acontecido, acontece e acontecerá”
A- O que veio a ser .... Consciência Desperta do mundo
U- O que está vindo a ser .... Consciência do Sonho e seu mundo
M- O que virá a ser ... Sono Profundo sem Sonhos.
O quarto elemento - SILÊNCIO ... Estado Absoluto.
(...)
Novamente, as palavras de Wittgenstein:
Proposição 6.44 “ O que é místico é que “o mundo exista” , não “como o mundo é.”
Proposição 6.522 “Existe no entanto o inexprimível . É o que se revela, é o místico.”
(...)
O símbolo mítico toca e une na realidade de uma pessoa toda a dimensão de sua vida presente : o mistério último de sua existência e do espetáculo de seu mundo, a ordem de seus instintos, de seus sonhos e de seus pensamentos. E atualmente de forma imediata.
(...)
Diego de Estella, místico espanhol- (1524-1578)
“ Ó fogo agradável! As chamas de teu amor sagrado na tua mais sagrada paixão sobem para o alto. Teus tormentos e aflições são a lenha que faz arder esse fogo sagrado”.
“ Ó fogo agradável! As chamas de teu amor sagrado na tua mais sagrada paixão sobem para o alto. Teus tormentos e aflições são a lenha que faz arder esse fogo sagrado”.
(...)
Nada há hoje que persista. Os mitos conhecidos não podem persistir, o Deus conhecido não pode persistir (...) todas as normas estão em constante transformação, de modo que o indivíduo é jogado de volta para si mesmo, para a esfera interior do seu próprio vir a ser, sua aventura na floresta sem caminho ou trilha a fim de chegar por meio de sua própria integridade e coragem na experiência, no amor, na lealdade e na ação.
(...)
A zona mitológica é o coração do indivíduo.
(...)
O guia interior será unicamente o seu coração nobre , e o guia exterior a imagem da beleza, a radiância da divindade que desperta em seu coração amor : semente mais profunda, secreta, de sua natureza consubstancial com o processo do Todo, do “assim é” .
domingo, 25 de julho de 2010
PARTE IV- O NOVO VINHO
CAP. 9- A MORTE DE DEUS
VI- Em direção a novas mitologias
1- O aspecto místico- metafísico
A primeira função de uma mitologia viva, a função propriamente religiosa, seguindo a definição de Rudolf Otto em O Sagrado, é despertar e manter no indivíduo uma experiência de espanto , humildade e respeito em reconhecimento daquele mistério último que transcende nomes e formas, “do qual”, conforme lemos nos Upanixades, “as palavras retornam junto com a mente sem ter alcançado o seu objetivo”. Eu diria que no mundo moderno, pelo menos fora das sinagogas e das igrejas, essa humildade foi recuperada; pois toda alegação de autoridade do Livro sobre o qual se basearam o orgulho racial, o orgulho comunitário, a ilusão de um dom singular, um privilégio especial e um favor divino foi destruída.
(...)
A fé nas Escrituras da Idade Média, a fé na razão do Iluminismo, a fé na ciência do filisteu moderno, pertencem hoje igualmente, apenas aqueles que ainda não fazem nenhuma idéia de quão misterioso, na realidade, é o próprio mistério do si mesmo.
“ Tudo é o mundo inteiro como a vontade à sua própria maneira.” (Schopenhauer)
(...)
Pois esse, na verdade, é o discernimento básico de todo discurso metafísico – cognoscível apenas a cada um - só quando os nomes e as formas , as Máscaras de Deus se dissolvem.
(...)
Quem, então, poderá falar a ti ou a mim do ser ou não ser de “Deus”, a não ser implicitamente para apontar algo que está além de suas palavras de si mesmo e de tudo o que ele sabe e pode dizer.
(...)
2- O aspecto cosmológico
Alguns diriam que o demônio vencera e que Fausto, preso nas garras de Satã, estava agora preparado para o extermínio por meio de sua própria ciência . Entretanto, ao que concerne ao AQUI E AGORA, (e meus amigos, continuamos aqui), a primeira função de uma mitologia , como vimos (...) – foi magistralmente cumprida por todas essas ciências da segunda função : a expressão de uma cosmologia, uma imagem desse universo estarrecedor, seja ele considerado em seu aspecto temporal, espacial, físico ou biológico. Não há mais, em nenhum lugar, qualquer certeza , qualquer rochedo sólido de autoridade, no qual os que temem enfrentar sozinhos o absolutamente desconhecido podem se acomodar, seguros no conhecimento de que eles e seus vizinhos estão em posse, de uma vez para sempre, da Verdade Encontrada.
4- A esfera psicológica
E assim somos inevitavelmente levados para a quarta esfera, a quarta função de uma mitologia, propriamente dita : a centralização e a harmonização do indivíduo.
(...)
Porque o homem, cada indivíduo entre nós, possui sua própria alma e por sua vez, terá que viver ou perecer por ela - não há caminho pelo qual as Utopias – ou o próprio Paraíso Perdido- possam ser trazidas do futuro e presenteadas ao homem. Tampouco podemos avançar em direção a tal destino.
Como no mundo do tempo, cada homem vive apenas uma vida, é nele mesmo que tem que procurar o Segredo do Jardim.
VI- Em direção a novas mitologias
1- O aspecto místico- metafísico
A primeira função de uma mitologia viva, a função propriamente religiosa, seguindo a definição de Rudolf Otto em O Sagrado, é despertar e manter no indivíduo uma experiência de espanto , humildade e respeito em reconhecimento daquele mistério último que transcende nomes e formas, “do qual”, conforme lemos nos Upanixades, “as palavras retornam junto com a mente sem ter alcançado o seu objetivo”. Eu diria que no mundo moderno, pelo menos fora das sinagogas e das igrejas, essa humildade foi recuperada; pois toda alegação de autoridade do Livro sobre o qual se basearam o orgulho racial, o orgulho comunitário, a ilusão de um dom singular, um privilégio especial e um favor divino foi destruída.
(...)
A fé nas Escrituras da Idade Média, a fé na razão do Iluminismo, a fé na ciência do filisteu moderno, pertencem hoje igualmente, apenas aqueles que ainda não fazem nenhuma idéia de quão misterioso, na realidade, é o próprio mistério do si mesmo.
“ Tudo é o mundo inteiro como a vontade à sua própria maneira.” (Schopenhauer)
(...)
Pois esse, na verdade, é o discernimento básico de todo discurso metafísico – cognoscível apenas a cada um - só quando os nomes e as formas , as Máscaras de Deus se dissolvem.
(...)
Quem, então, poderá falar a ti ou a mim do ser ou não ser de “Deus”, a não ser implicitamente para apontar algo que está além de suas palavras de si mesmo e de tudo o que ele sabe e pode dizer.
(...)
2- O aspecto cosmológico
Alguns diriam que o demônio vencera e que Fausto, preso nas garras de Satã, estava agora preparado para o extermínio por meio de sua própria ciência . Entretanto, ao que concerne ao AQUI E AGORA, (e meus amigos, continuamos aqui), a primeira função de uma mitologia , como vimos (...) – foi magistralmente cumprida por todas essas ciências da segunda função : a expressão de uma cosmologia, uma imagem desse universo estarrecedor, seja ele considerado em seu aspecto temporal, espacial, físico ou biológico. Não há mais, em nenhum lugar, qualquer certeza , qualquer rochedo sólido de autoridade, no qual os que temem enfrentar sozinhos o absolutamente desconhecido podem se acomodar, seguros no conhecimento de que eles e seus vizinhos estão em posse, de uma vez para sempre, da Verdade Encontrada.
4- A esfera psicológica
E assim somos inevitavelmente levados para a quarta esfera, a quarta função de uma mitologia, propriamente dita : a centralização e a harmonização do indivíduo.
(...)
Porque o homem, cada indivíduo entre nós, possui sua própria alma e por sua vez, terá que viver ou perecer por ela - não há caminho pelo qual as Utopias – ou o próprio Paraíso Perdido- possam ser trazidas do futuro e presenteadas ao homem. Tampouco podemos avançar em direção a tal destino.
Como no mundo do tempo, cada homem vive apenas uma vida, é nele mesmo que tem que procurar o Segredo do Jardim.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
PARTE II - A TERRA DESOLADA
Cap. VI- O Equilíbrio
I- Honra versus Amor
Na realização do seu desejo, o amante radical renuncia corajosamente ao mundo com seus valores de honra, justiça, lealdade, prudência. Para o cavaleiro e a sua dama do mundo , entretanto, a finalidade mística de pleno êxtase não é – e nunca foi – o ideal de uma vida nobre; e na França dos séculos XII e XIII nem sequer se aproximava do ideal de amor cortês.
Como assinalou uma das críticas mais argutas dessa literatura, Madame Myrrha Lot-Barodine : “Não foram os trovadores franceses que conceberam esse tipo de paixão ardente, cega e absoluta. A rajada de desordem que exala nos poemas de Tristão , dificilmente sugere a fragrância suave do delicado perfume da cortesia francesa, “
Assim sendo, parece mais do que apropriado voltar a olhar para a antiga lenda irlandesa da “marca do amor” de Diarmuid O´Duibhne. Porque é nela que aparecem os primeiros vestígios da fonte, não apenas da magia do amor e dos temas florestais, como também do ferimento causado pelo javali na coxa de Tristão e, portanto, de sua relação com o deus morto pelo javali e o rei-herói do antigo complexo megalítico do deus –porco: o filho, o consorte e amante, eternamente morrendo e ressuscitando, da rainha-deusa do Universo- Damuzi- Osíris- Adônis.
(...)
III- Ironia Erótica
Até aqui, muito bem; lemos e escutamos : o artista sempre se compadece um pouco de si mesmo, tem experiências dolorosas e responde com a seta da palavra, bem elaborada, bem dirigida. Porém, com que finalidade? Para matar?
O autor tem mais a dizer:
“O intelectual, o homem de espírito tem a alternativa de trabalhar a partir do irônico ou do radical. (...) Decorre de qual das alegações pareça-lhe a definitiva, absoluta e decisiva : a da Vida ou a do Espírito (como Verdade). Para o radical , a Vida não é o argumento prioritário. Assim falam todas as formas de radicalismo (pereat mundus et vita!). Ao contrário, a fórmula da ironia diz : “É a Verdade prioritária - quando a questão é a Vida? “O radicalismo é niilismo. A disposição irônica é conservadora. Entretanto o conservadorismo só é irônico quando não representa a voz da vida falando por si mesma, porém a voz do espírito falando pela vida.
Aqui é Eros que se apresenta, o amor definido como “a afirmação de um indivíduo, independente de seu valor”. Ora, essa não é uma afirmação muito espiritual nem muito moral e, de fato, a afirmação da vida pelo espírito também é pouco moral. É irônica. Eros sempre foi irônico. A ironia é erótica.
E é isso que torna a arte tão digna de nosso amor e merecedora de nossa prática, essa maravilhosa contradição, que é- ou, ao menos, pode ser- simultaneamente um repouso e uma crítica, uma celebração e uma recompensa da vida por sua gratificante imitação e, ao mesmo tempo, uma aniquilação moralmente crítica da vida cujo efeito é o despertar do prazer e da consciência no mesmo grau (...) que seja ao mesmo tempo conservadora e radical; isto é, de seu lugar mediato e mediador entre o espírito e a vida. Que é a fonte de onde nasce a própria ironia.
(Thomas Mann)
VIII- A ferida de Amfortas
Nas palavras do grande orientalista, o Professor Hans Heinrich Schaeder (1896-1957):
“(...) O exercício do poder é regido sempre pela lei da intensificação, pela ganância desmedida. Não tem moderação; a medida somente chega do exterior, de forças contrárias que o restringem . A história é , portanto, a interação do poder- seu estabelecimento, sustentação e desenvolvimento-, de um lado , e essas forças opostas, de outro. Estas receberam nomes distintos, sendo o mais simples e inclusivo : amor.
I- Honra versus Amor
Na realização do seu desejo, o amante radical renuncia corajosamente ao mundo com seus valores de honra, justiça, lealdade, prudência. Para o cavaleiro e a sua dama do mundo , entretanto, a finalidade mística de pleno êxtase não é – e nunca foi – o ideal de uma vida nobre; e na França dos séculos XII e XIII nem sequer se aproximava do ideal de amor cortês.
Como assinalou uma das críticas mais argutas dessa literatura, Madame Myrrha Lot-Barodine : “Não foram os trovadores franceses que conceberam esse tipo de paixão ardente, cega e absoluta. A rajada de desordem que exala nos poemas de Tristão , dificilmente sugere a fragrância suave do delicado perfume da cortesia francesa, “
Assim sendo, parece mais do que apropriado voltar a olhar para a antiga lenda irlandesa da “marca do amor” de Diarmuid O´Duibhne. Porque é nela que aparecem os primeiros vestígios da fonte, não apenas da magia do amor e dos temas florestais, como também do ferimento causado pelo javali na coxa de Tristão e, portanto, de sua relação com o deus morto pelo javali e o rei-herói do antigo complexo megalítico do deus –porco: o filho, o consorte e amante, eternamente morrendo e ressuscitando, da rainha-deusa do Universo- Damuzi- Osíris- Adônis.
(...)
III- Ironia Erótica
Até aqui, muito bem; lemos e escutamos : o artista sempre se compadece um pouco de si mesmo, tem experiências dolorosas e responde com a seta da palavra, bem elaborada, bem dirigida. Porém, com que finalidade? Para matar?
O autor tem mais a dizer:
“O intelectual, o homem de espírito tem a alternativa de trabalhar a partir do irônico ou do radical. (...) Decorre de qual das alegações pareça-lhe a definitiva, absoluta e decisiva : a da Vida ou a do Espírito (como Verdade). Para o radical , a Vida não é o argumento prioritário. Assim falam todas as formas de radicalismo (pereat mundus et vita!). Ao contrário, a fórmula da ironia diz : “É a Verdade prioritária - quando a questão é a Vida? “O radicalismo é niilismo. A disposição irônica é conservadora. Entretanto o conservadorismo só é irônico quando não representa a voz da vida falando por si mesma, porém a voz do espírito falando pela vida.
Aqui é Eros que se apresenta, o amor definido como “a afirmação de um indivíduo, independente de seu valor”. Ora, essa não é uma afirmação muito espiritual nem muito moral e, de fato, a afirmação da vida pelo espírito também é pouco moral. É irônica. Eros sempre foi irônico. A ironia é erótica.
E é isso que torna a arte tão digna de nosso amor e merecedora de nossa prática, essa maravilhosa contradição, que é- ou, ao menos, pode ser- simultaneamente um repouso e uma crítica, uma celebração e uma recompensa da vida por sua gratificante imitação e, ao mesmo tempo, uma aniquilação moralmente crítica da vida cujo efeito é o despertar do prazer e da consciência no mesmo grau (...) que seja ao mesmo tempo conservadora e radical; isto é, de seu lugar mediato e mediador entre o espírito e a vida. Que é a fonte de onde nasce a própria ironia.
(Thomas Mann)
VIII- A ferida de Amfortas
Nas palavras do grande orientalista, o Professor Hans Heinrich Schaeder (1896-1957):
“(...) O exercício do poder é regido sempre pela lei da intensificação, pela ganância desmedida. Não tem moderação; a medida somente chega do exterior, de forças contrárias que o restringem . A história é , portanto, a interação do poder- seu estabelecimento, sustentação e desenvolvimento-, de um lado , e essas forças opostas, de outro. Estas receberam nomes distintos, sendo o mais simples e inclusivo : amor.
A Terra Desolada, podemos dizer então, é qualquer mundo em que a Força e não o Amor , a doutrinação e não a educação, a autoridade e não a experiência, prevalecem na organização das vidas, e onde os mitos e ritos observados e aceitos não guardam, portanto, nenhuma relação com as verdadeiras experiências, necessidades e potencialidades interiores daquele que os aceitam."
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