Jesus olhou para o alto: eu sou a Ressureição e a Vida, o que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá, e todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá eternamente, crês nisso? Ela respondeu: sim, Senhor, eu creio que sois o Cristo, filho de Deus, que devia vir a este mundo.
(...)
Lázaro, porque me olhas tanto ? Porque és belo (...) Ele me segura pelos ombros: meu irmão... meu querido irmão... e me acaricia a fronte, os cabelos, a boca. Depois me abraça. Aturdido, beijo-lhe a face, os ombros, o peito. Até quando posso ficar contigo? Sempre ficarás comigo, Lázaro, porque crês em mim. Sim, mas até quando poderei tocar em Ti? Ele fecha os olhos, suas pálpebras escurecem: daqui há pouco, Lázaro, não nos veremos mais. Ajoelho-me, agarro-me aos seus pés, ouço a minha voz convulsionada : tenho medo, tenho medo de não agüentar o que resta sem a Tua presença. Quero estar sempre onde Tu estiveres, quero Te amar até morrer de novo, quero sentir tudo o que Tu sentires, compreendes? (...) E se for mais difícil do que tudo o que imaginas ? Mais difícil, irmão Jesus, é não ter toda a sua dor cravada em mim
(...).
Há um homem diferente no pátio. Vê-se que ele ama Jesus mais do que a si mesmo. O amor desse homem é diferente do meu amor : é um amor de mandíbulas cerradas, de olhar oblíquo, de desespero escuro. (...) Por favor, é preciso que me compreendam. Esse amor de Judas, o Iscariote, não é um amor ideal porque é ciumento e agressivo (...) e o olhar que lança ao redor é um olhar que diz : o meu amor é mais forte, é mais sangue, vocês não O possuirão.
Lázaro, porque me olhas tanto ? Porque és belo (...) Ele me segura pelos ombros: meu irmão... meu querido irmão... e me acaricia a fronte, os cabelos, a boca. Depois me abraça. Aturdido, beijo-lhe a face, os ombros, o peito. Até quando posso ficar contigo? Sempre ficarás comigo, Lázaro, porque crês em mim. Sim, mas até quando poderei tocar em Ti? Ele fecha os olhos, suas pálpebras escurecem: daqui há pouco, Lázaro, não nos veremos mais. Ajoelho-me, agarro-me aos seus pés, ouço a minha voz convulsionada : tenho medo, tenho medo de não agüentar o que resta sem a Tua presença. Quero estar sempre onde Tu estiveres, quero Te amar até morrer de novo, quero sentir tudo o que Tu sentires, compreendes? (...) E se for mais difícil do que tudo o que imaginas ? Mais difícil, irmão Jesus, é não ter toda a sua dor cravada em mim
(...).
Há um homem diferente no pátio. Vê-se que ele ama Jesus mais do que a si mesmo. O amor desse homem é diferente do meu amor : é um amor de mandíbulas cerradas, de olhar oblíquo, de desespero escuro. (...) Por favor, é preciso que me compreendam. Esse amor de Judas, o Iscariote, não é um amor ideal porque é ciumento e agressivo (...) e o olhar que lança ao redor é um olhar que diz : o meu amor é mais forte, é mais sangue, vocês não O possuirão.
(...)
eu acho que o amor de Iscariote tem que ser assim como é (...): eu te amo, e não sei se você compreende, Judas, o que significa quando uma pessoa, assim como eu, diz que te ama (...) Antes de minha morte eu tocava nas coisas, sim, tocava-as, mas não descobria o mais fundo (...) a sensação daquele toque não se fixava em mim. Mas se eu te tocasse agora (mas não quero) a tua carne sofreria aquela febre mais intensa, a febre viva e compassada, a minha febre (...) Se eu pudesse falar dessa dor, dor que não é simplesmente a ausência de quem se ama, mas uma certeza tristíssima de que daqui por diante, o coração dos homens se tornará mais escuro.... mais, isso é possível ? Ainda mais ? Depois de tudo consumado. Tudo.... depois de consumado o que, Lázaro? Não sei, um sopro de cinza, uma torre derrubada, uma lança, não sei. Depois de tudo consumado, tudo se fará de novo, outra vez, sempre, eternamente. E sendo assim, não será de luz, um dia, o coração dos homens? Não. Mas então, porque ? Por amor, compreendes ? Por amor o sacrifício é sempre renovado, por amor há uma entrega contínua, ainda que sem esperança (...). Depois de tudo, ouve, o amor tomará posse do universo, depois do sacrifício que não sabes ainda, os homens serão cordeiros e a terra será um pasto novo, fecundo e inocente.
(.........)
Lázaro meu filhinho, o Jesus de quem falas está morto há muito tempo, e para os homens de agora nunca ressuscitou, nem está em lugar algum. Não te aborreças mais, sabemos que Ele nunca existiu. Ele foi apenas uma idéia muito louvável (...) essa imagem poderia crescer de tal forma que aplacaria definitivamente a fera dentro do homem. Mas não deu certo. Pelo contrário. (...) Os homens não têm consolo algum, lutam para dar alimento, roupa, e algumas alegrias aos seus filhos e a si próprios. Não há nada além disso. (...) Oh, como havia primavera na minha alma quando o Teu rosto existia sobre o rosto dos homens. Entra na cela, filho, entra! Agora deita-te, assim. (...) olha, Lázaro, nós, os monges, estamos aqui, mas somos o único convento sobre a terra, compreendeste ? O único. E também não acreditamos mais no Cristo, apenas não temos para onde ir, já somos muito velhos... ah ! já sei , olhas o crucifixo na parede, não é ? E estás pensando porque não tiramos os crucifixos das paredes (...)? É muito simples, Lázaro (...): são muitos crucifixos, não temos um depósito para os colocar, entendeste ?
(...)
E agora, Lázaro, não se ouve mais o nome de Jesus, e o símbolo da cruz é símbolo de ameaça. Estas dormindo, Lázaro ? Dorme, dorme. Também vou dormir. O mundo inteiro dorme. E não te aborreças, mas.... além de sabermos que o teu Jesus nunca existiu, sabemos também que Deus ... Oh, oh sabemos.... Deus, Lázaro, Deus agora a grande massa informe, a grande massa movediça, a grande massa sem lucidez. Dorme bem, filhinho.
Lázaro grita. Um grito avassalador. Um rugido. Arregala os olhos e vê Marta. Ela está de pé, junto à cama. As duas mãos sobre a boca.
(.........)
Lázaro meu filhinho, o Jesus de quem falas está morto há muito tempo, e para os homens de agora nunca ressuscitou, nem está em lugar algum. Não te aborreças mais, sabemos que Ele nunca existiu. Ele foi apenas uma idéia muito louvável (...) essa imagem poderia crescer de tal forma que aplacaria definitivamente a fera dentro do homem. Mas não deu certo. Pelo contrário. (...) Os homens não têm consolo algum, lutam para dar alimento, roupa, e algumas alegrias aos seus filhos e a si próprios. Não há nada além disso. (...) Oh, como havia primavera na minha alma quando o Teu rosto existia sobre o rosto dos homens. Entra na cela, filho, entra! Agora deita-te, assim. (...) olha, Lázaro, nós, os monges, estamos aqui, mas somos o único convento sobre a terra, compreendeste ? O único. E também não acreditamos mais no Cristo, apenas não temos para onde ir, já somos muito velhos... ah ! já sei , olhas o crucifixo na parede, não é ? E estás pensando porque não tiramos os crucifixos das paredes (...)? É muito simples, Lázaro (...): são muitos crucifixos, não temos um depósito para os colocar, entendeste ?
(...)
E agora, Lázaro, não se ouve mais o nome de Jesus, e o símbolo da cruz é símbolo de ameaça. Estas dormindo, Lázaro ? Dorme, dorme. Também vou dormir. O mundo inteiro dorme. E não te aborreças, mas.... além de sabermos que o teu Jesus nunca existiu, sabemos também que Deus ... Oh, oh sabemos.... Deus, Lázaro, Deus agora a grande massa informe, a grande massa movediça, a grande massa sem lucidez. Dorme bem, filhinho.
Lázaro grita. Um grito avassalador. Um rugido. Arregala os olhos e vê Marta. Ela está de pé, junto à cama. As duas mãos sobre a boca.
Nenhum comentário:
Postar um comentário