“por amor ao mundo e para conformar os corações nobres, àqueles a quem eu prezo e aos que o meu coração sente-se atraído. Não estou me referindo ao mundo comum daqueles que (como ouvi dizer) são incapazes de suportar o sofrimento e desejam apenas viver da graça. (que Deus os permita viver na graça!) Desse mundo e do modo de vida destes, a minha história não trata : a vida deles e a minha estão distantes. É outro o mundo que tenho em mente, ele comporta num mesmo coração sua doçura amarga, seu precioso sofrimento, seu prazer espiritual, e sua dor anelante, sua vida grata e sua morte. É a esse mundo que desejo pertencer, para ser condenado ou para ser salvo por ele.” (Tristão – Gottfried von Strassburg, 1210).
(...)
há uma a acentuada linha de ascendência do Tristão de Gottfried até James Joyce (1882- 1941) e Thomas Man (1875- 1955), marcando em ritmo compassado , as mesmas etapas, data por data :
- 1903- Thomas Man
-1916- Um retrato do artista quando jovem- James Joyce
(tratam da separação de um jovem do contexto social de seu nascimento para buscar um destino pessoal , (...) cada qual resolvendo o seu dilema em um momento de intuição inspiradora
- 1922- Ulisses, James Joyce
-1924- A montanha mágica
(dois relatos de busca de um princípio fundamental revelador da existência em meio a uma mistura de critérios da civilização moderna.)
(...) porém não vou antecipar aqui as aventuras dessas páginas, alem de apontar que nos deteremos sobre o mistério do momento de arrebatamento estético , quando a possibilidade de uma vida como aventura abre-se a mente (...) depois o processo de criação de certos mestres , dedicados ao mesmo continuum de temas do nosso passado mais antigo e obscuro que, muito recentemente , foi posto a ferver no caldeirão de Finnegans Wake.
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