segunda-feira, 10 de maio de 2010

As Máscaras de Deus

MITOLOGIA CRIATIVA (VOLUME 4)


PARTE I- A ANTIGA VIDEIRA

Cap. I- Experiência e autoridade

1)- Simbolização criativa

Nos volumes anteriores deste estudo sobre as transformações históricas daquelas formas imaginárias que chamo de “máscaras” de Deus (...) os mitos e ritos dos antigos mundos primitivo, oriental e ocidental (...)

(...) em nossa cultura ocidental recente (metade do sec. XII) uma crescente desintegração vem desmantelando a tradição ortodoxa (...). Com seu declínio irromperam as forças criativas liberadas por um grande grupo de destacados indivíduos, de maneira que (...) uma galáxia de mitologias (...).

(...) um tipo totalmente novo de revelação não-teológica, de grande alcance, profundidade e infinita variedade tornou-se o verdadeiro guia espiritual e força estruturante de uma civilização.

No contexto de uma mitologia tradicional os símbolos apresentam-se em ritos socialmente preservados (...) No que chamo “mitologia criativa” – essa ordem se inverte. O indivíduo tem uma experiência própria- de ordem, horror, beleza- que procura transmitir mediante sinais; e se sua vivência teve alguma profundidade e significado , sua comunicação terá o valor e a força de um mito vivo.

A primeira função da mitologia é reconciliar nossa consciência que desperta com o mysterium tremendum et fascinans deste Universo como ele é. A segunda é apresentar uma imagem interpretativa total do mesmo (...) é a revelação para a consciência dos poderes da sua própria fonte mantenedora. A terceira função, entretanto, é a imposição de uma ordem moral (...). A quarta função (mais crítica e vital) é auxiliar o indivíduo a encontrar seu centro e desenvolver-se integralmente em consonância (...) consigo, cultura, Universo e com aquele terrível e último mistério que está tanto fora, como dentro de si mesmo e de todas as coisas.

A mitologia criativa (...) “para mostrar à virtude a sua própria expressão; ao ridículo a sua própria imagem e a cada época e geração a sua própria esfígie. (...) provém da intuição sentimentos, pensamentos e visão de um indivíduo leal à sua própria experiência e valores. Dessa maneira ela reorienta a autoridade mantendo as formas que produziram e deixaram para trás vidas já vividas. Renovando o ato da própria experiência, resgata para a existência a qualidade de aventura, a uma só vez , descobrindo e reintegrando o estabelecido, o já conhecido, no fogo criativo desse algo em gestação constante, que não é senão a vida, (...) mas como ela é , em profundidade, em processo aqui e agora, dentro e fora.

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